25.05.10

Álbum resgata no Brasil quadrinhos de Tarzan

 

Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Capa de "Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias", álbum que relança histórias do personagem publicadas em 1972 

 

 

 

 

 

 

 

Tarzan foi um dos personagens mais longevos a ocupar as bancas brasileiras. Andava sumido. É resgatado agora num álbum, que relança oito de suas aventuras.

"Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias" (Devir, 208 págs., R$ 49) cumpre à risca o que o subtítulo vende: mostra como tudo começou e mais quatro tramas.

As histórias são de um momento de transição. O personagem saía da editora norte-americana Gold Key e migrava para a DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

A estreia em abril de 1972. A nova casa procurou dar um ar de continuidade, mantendo a numeração da revista mensal. Os rumos criativos, no entanto, foram revistos.

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Quem assumiu as histórias do Homem-Macaco foi Joe Kubert, que já trabalhava nos quadrinhos da DC. O quadrinista procurou recriar o clima das primeiras aventuras.

"Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez", diz o quadrinista, na apresentação do álbum.

A missão incluiu reler a literatura sobre o personagem, lapidada por Edgar Rice Burroughs (1875-1950). O escritor publicou a primeira história de Tarzan em 1912.

Do contato com os livros, surgiu a recriação da origem do herói das selvas, algo propício para um momento de reinício da revista editorial da revista nos Estados Unidos.

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Kubert relembra o leitor os fatos que tornaram Tarzan o rei dos macacos. Ainda bebê, ficou órfão em plena floresta africana. Foi criado a partir de então por uma macaca, Kala.

O menino se desenvolveu na selva até encontrar caminhos para reconstruir seu passado e o contato com outros humanos. As demais histórias trazem tramas após tais fatos.

A reedição do álbum, na prática, funciona como um resgate do personagem no Brasil, como bem relembra um texto, no final da obra, assinado pelo editor Leandro Luigi Del Manto.

Tarzan estreou por aqui em 1934, no extinto "Suplemento Juvenil". A carreira como personagem-título de revista em quadrinhos teve início em 1951. Foi publicado até 1989.

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Desde então, o Homem-Macaco tem feito aparições em edições especiais ao lado de super-heróis ou numa luta contra o Predador dos cinemas. Nada à altura de sua trajetória.

A estreia do personagem ocorreu em 1929, época em que as tiras de jornais eram quase todas de cunho cômico.

Tarzan não. O foco era na aventura, desenhada por Hal Foster (1892-1982), que depois ficou ainda mais famoso com a série "Príncipe Valente".

O ingresso da ação agregou um novo gênero às tiras e estimulou uma lista de outros personagens afins: Jim das Selvas, Flash Gordon, Buck Rogers, Fantasma.

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Este álbum é de outro momento do personagem. Mas procura dialogar com o passado dele, inclusive com a participação de Burne Hogarth (1911-1996) na arte de uma das histórias.

Hogarth foi quem substitui Hal Foster nos desenhos do Homem-Macaco, em 1937. É tido como uma das principais referências visuais do personagem nos quadrinhos.

O trabalho de Joe Kubert procura recriar esse clima das décadas de 1930 e 40. E consegue, em particular nos quatro primeiros capítulos, que narram a origem do herói.

O álbum da Devir resgata a importância de Tarzan para os quadrinhos e dá um primeiro passo para o retorno de outras aventuras dele. É algo histórico, que precisa ser recuperado. 

Escrito por PAULO RAMOS às 22h46
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14.05.10

Álbum relança Drácula de Eugênio Colonnese

 

A Hora do Terror - Drácula de Bram Stocker. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

"A Hora do Horror - Drácula de Bram Stoker" reedita história criada pelo desenhista no fim da década de 1960 

 

 

 

 

 

 


A ida às bancas de quando em quando traz algumas surpresas. Esta semana é um bom exemplo. As prateleiras expõem um álbum nacional sobre o Drácula de Bram Stoker (Escala, 112 págs., R$ 14,90).

A obra, na verdade, é uma reedição de um trabalho feito pelo ítalo-brasileiro Eugênio Colonnese (1929-2008), produzida no final da década de 1960 para a extinta editora Taika.

É preciso olhar com mais atenção a história original para comparar as duas versões editoriais. Na falta dela, confia-se nas informações apresentadas pelo álbum.

Um texto, ao final, diz que os quadrinhos do desenhista foram colorizados - eram em preto-e-branco - e a parte verbal foi atualizada.

                                                          ***

Com ou sem explicações, fica evidente que houve um novo tratamento à história. O formato é próximo, por exemplo, é próximo ao das graphic novels. A parte interna também.

O molde das graphic novels - e até mesmo o nome - inexistiam na época em que a narrativa foi publicada. Ironia. Hoje, são os quadrinhos de terror nacionais que inexistem.

O Brasil foi um grande produtor de histórias de terror entre as décadas de 1950 e 80. Autores nacionais criaram um sem-número de tramas por diferentes editoras.

Trazer à vida este Drácula de Colonnese é uma forma de relembrar um pouco dessa época, ainda tão pouco explorada editorialmente e guardada apenas na memória de alguns.

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Colonnese, que adotou o Brasil como morada fixa em 1964, foi um dos principais criadores dessas histórias. Chegou a criar uma editora, a D-Arte, que publicava histórias assim.

Ele foi também o pai de uma das personagens mais famosas do gênero, Mirza, a Mulher-Vampiro, homenageada em 2009 no HQMix, principal premiação de quadrinhos no país.

Esta reedição tem o cuidado de valorizar os desenhos de Colonnese e de contextualizar a trajetória dele nos quadrinhos e de Drácula no cinema. O tom é de homenagem.

O que o álbum não informa são os motivos da reedição: pura homenagem ou a oportunidade de pôr na praça mais uma adaptação. O histórico da Escala sugere a segunda opção.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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13.05.10

Diário de um Banana ainda entretém, mas perde ar de novidade

 

Diário de um Banana - A Gota d´Água. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 


Capa do terceiro da série norte-americana, que começou a ser vendido no Brasil 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O molde é o mesmo dos demais volumes da série. Talvez por isso a terceira parte de "Diário de um Banana" já perca um pouco do ar de novidade que pautou os dois anteriores.

Um sinal disso é que esta nova obra - que tem o subtítulo "A Gota d´Água" (218 págs., R$ 34,90) - já não se preocupa em explicar ao leitor por que foi produzida no formato de um diário. Trabalha-se como se fosse já um fato consumado.

Nos primeiros livros, lançados no Brasil em 2008 e 2009, respectivamente, o protagonista Greg Heffley fazia questão de dizer que não era um diário, mas um "livro de memórias".

O diário, ou o livro de memórias, havia sido dado pela mãe para que o garoto escrevesse ali o que quisesse. Ele optou por relatar seu dia a dia, da escola às situações familiares.

                                                         ***

A leitura é feita do ponto de vista de Greg. Os relatos dele são mesclados com histórias em quadrinhos, supostamente desenhadas por ele, que se somam à narrativa.

O resultado, um híbrido de quadrinhos com literatura infantil, foi o grande diferencial da série no início. A obra vendeu mais de 20 milhões, como a capa faz questão de lembrar.

E, como toda boa ideia, passou a ser explorada comercialmente. Gerou outros três volumes e ganhou neste ano uma adaptação para o cinema, "Diary of a Wimpy Kid".

A Vergara & Riba, que edita a obra no Brasil, já anuncia outra obra vinculada à série: "Diário de um Banana: Faça Você Mesmo".

                                                          ***

A superexposição e a redundância da fórmula tiram um pouco o brilho deste terceiro volume da série, criada pelo norte-americano Jeff Kinney.

Também não é tão divertido quanto os dois livros anteriores. Mas entretém e tem lá seus momentos, como quando o autor ironiza os escritores de livros infantis.

"Em primeiro lugar", escreve Greg, em seu diário, "quase não há palavras nesses livros. E imagino que deva levar mais ou menos cinco segundos para se escrever um."

"Acredite, foi a coisa mais fácil do mundo. É só inventar um personagem com um nome divertido e depois fazê-lo aprender uma lição no final do livro."

                                                         ***

Kinney, pelo menos, tem o mérito de fugir desse rótulo que ele mesmo autoironiza na obra. Tem um texto afiado, que recria com precisão a identidade de Greg.

Os desenhos em quadrinhos, feitos intencionalmente com um estilo infantilizado, também ajudam a tornar a leitura mais fluida, sem serem uma redundância do que se lê.

O autor explica em seu site que queria escrever um livro sobre as partes divertidas do crescimento. "Meu acerto na escrita do livro foi fazer as pessoas rirem", diz.

De fato, há riso. Mas em menor número que nos anteriores. Esta terceira parte entretém e diverte. E prepara o terreno comercial para o filme. Não muito mais que isso.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h41
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12.05.10

Duas vezes Quino

 

Que Presente Inapresentável! Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

"Que Presente Inapresentável!", um dos dois novos álbuns do criador de Mafalda, já à venda nas livrarias

 

 

 

 

 

 

 


Mafalda é, sem sombra de dúvidas, a criação mais famosa de Quino. Mas existe uma produção dele, igualmente rica, produzida após o fim das tiras da personagem, em 1973.

O desenhista argentino dizia querer uma maior liberdade de criação, sem as amarras de um personagem fixo. Enveredou, então, pelas histórias feitas no espaço de uma página.

A nova fase, uma vez mais pautada nos caminhos do humor, já foi reunida em diferentes álbuns, nove deles já lançados no Brasil. Agora, a coleção é engordada com outros dois.

Os títulos, como de costume, sintetizam algum aspecto da obra. No caso, "Que Presente Inapresentável!" (136 págs., R$ 45) e "Humanos Nascemos" (128 págs., R$ 45).

                                                          ***

Talvez justamente por ser uma busca por maior liberdade, Quino não mantém uma forma, um molde rígido para as produções de humor lidas nos dois álbuns.

Elas transitam entre as histórias em quadrinhos tradicionais e o cartum, com diferentes temáticas. Os assuntos vão da falta de segurança ao papel do homem no mundo.

A linguagem dos quadrinhos e o tom cômico e crítico é o fio que une todos os trabalhos, cada um deles acima da média. A exceção são os temas ligados ao meio ambiente.

A natureza parece ser levada rigidamente a sério por ele. O assunto, quando abordado, não apresenta o tradicional final inesperado, fonte do humor. Traz, ao contrário, uma forte crítica.

                                                          ***

Os dois livros reforçam o catálogo do autor já publicado pela WMF Martins Fontes, editora que também lançou no país as coletâneas de Mafalda.

A editora brasileira traduz para o português os álbuns argentinos, publicados por lá pela Ediciones de la Flor, tradicional editora de títulos de humor, inclusive os de Quino.

Na argentina, estes e outros álbuns de Joaquín Salvador Lavado - nome completo de Quino - costumam ser tão fáceis de encontrar quanto pôsteres de Carlos Gardel e de Che Guevara.

O humor solto do pai de Mafalda é, como dito, acima da média, característica acentuada por um ano ainda morno de bons lançamentos. Quino ajuda  muito a preencher esse vácuo.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h58
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06.05.10

The boys mostra lado politicamente incorreto dos heróis

 

The Boys - O Nome do Jogo. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 


Álbum escrito por Garth Ennis apresenta um lado B dos super-heróis, mais preocupados com sexo do que com a morte de civis 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há roteiristas de quadrinhos que conseguem impor uma marca pessoal aos textos que escrevem. É o caso, por exemplo, do irlandês Garth Ennis. O escritor costuma permear suas histórias com situações politicamente incorretas, acidamente cômicas.

"Preacher", sua série mais famosa, é recheada de situações assim. O estilo retorna agora em "The Boys - O Nome do Jogo", álbum já à venda (Devir, 152 págs., R$ 39,50).

As situações corrosivas são lidas em doses homeopáticas. De um cachorrão truculento que transa com delicadas cadelinhas "lulu" à chefona da CIA, sempre subordinada no sexo.

Mas o alvo mor da incorreção são os heróis imaginados por Ennis. Os super-seres vivem num mundo de orgias e de abuso do poder, mesmo que à custa de vidas inocentes.

                                                         ***

Os heróis consideram baixas aceitáveis as vítimas que morrem durante as lutas contra os vilões. Eles trabalham até com um percentual de quantos civis podem morrer.

Uma das mortes foi a namorada de Hughie Mijão, personagem criado com o rosto do ator inglês Simon Pegg, o Scott da nova versão cinematográfica de "Jornada nas Estrelas".

Hughie, de mãos dadas com a namorada, rodava com ela, cheio de amor. Abruptamente, um dos heróis é arremessado e esmaga a moça contra a parede.

Apesar de chocante, a cena é aceitável, pelos padrões adotados. Os excessos passam então a ser controlados por The Boys, um grupo de civis com carta-branca do governo.

                                                          ***

O líder da trupe é Billy Carniceiro, inglês que também perdeu a esposa por causa de abusos de um dos super-seres. Desde então, tem direcionado a vida para o combate deles.

Nas seis histórias agrupadas no álbum, Carniceiro reorganiza o antigo grupo para, uma vez mais, partir para cima dos heróis. E convida Hughie para compor a equipe.

As dúvidas de Hughie e a apresentação do mundo incorreto dos super-heróis - balizado pelo sexo desenfreado - pontuam este início da série norte-americana da Dynamite.

Os desenhos são de Darick Robertson, parceiro de Ennis em outros projetos. Mas é a marca do escritor, carregada de humor ácido, que se destaca e que dá o sabor à história.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
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02.05.10

Homem de Ferro 2 avança cronologia Marvel no cinema

 

Cena de Homem de Ferro 2. Crédito: divulgação

 

Para quem normalmente não acompanha as histórias de super-heróis, o termo "cronologia" talvez seja um ilustre desconhecido.

A palavra sintetiza o modo como as histórias são contadas: uma novela sem fim, em que os eventos lidos em uma revista interferem nas aventuras dos demais títulos.

A sacada do primeiro longa-metragem de Homem de Ferro, de 2008,  foi dar início a uma versão cinematográfica dessa costura narrativa dos quadrinhos do gênero.

O recurso é retomado agora no segundo filme da franquia, que estreou no Brasil na última sexta-feira. A produção põe novas peças num quebra-cabeças bem maior.

                                                         ***

O diálogo interfilmes ficou mais nítido entre o primeiro longa e o filme do Incrível Hulk, lançado também em 2008.

Tony Stark, milionário que usa a armadura do Homem de Ferro, aparece numa das cenas conversando com Bruce Banner, cientista que se transforma no poderoso ser verde.

Nesta continuação, há a presença marcante de Nick Fury, chefe da agência de espionagem Shield, já mostrado rapidamente nos créditos do filme de estreia.

Fury quer cooptar Stark para integrar o projeto Vingadores que, a exemplo dos quadrinhos, é formado pelos principais heróis da editora norte-americana Marvel Comics.

                                                          ***

Os diálogos com Fury e a presença da Viúva Negra - interpretados por Samuel L. Jackson e Scarlett Johanson -, embora relevantes, ainda ficam em segundo plano.

São sementes para o futuro, a ser narrada em outros filmes com integrantes dos Vingadores, caso de Thor e de Capitão América - o escudo dele aparece neste filme.

Por ora, o que se tem é outro filme pipoca, descompromissado, com diferenças sutis se comparado ao anterior: menos ar de novidade e mais ação, em especial no fim.

Mesmo assim, o Homem de Ferro do cinema continua melhor que muitos quadrinhos do herói. E Robert Downey Jr., uma vez mais, rouba a cena no papel do excêntrico milionário.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h51
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