31.08.10

Biografia de Elvis fica na superfície da vida do cantor

 

Elvis. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Álbum organizado por Reinhard Kleist e Titus Ackermann começou a ser vendido neste mês 

 

 

 

 

 

 

 

 

A trajetória de Elvis Presley é atraente o bastante para justificar uma biografia sobre o cantor, seja a linguagem que for, como na versão em quadrinhos, lançada neste mês.

"Elvis" (8Inverso, 128 págs., R$ 63) recupera os fatos mais marcantes da vida do chamado Rei do Rock, sem a preocupação de aprofundar cada um deles.  

O resultado são fragmentos do percurso percorrido por ele, da infância na cidade de memphis, nos Estados Unidos, ao estrelato e a morte, em agosto de 1977.

O álbum dá uma ideia de como o cantor passou por todos essas etapas. Mas de maneira bem superficial.

                                                          ***

Os fragmentos-chave da vida de Elvis foram divididos em dez capítulos, cada um deles feito por um desenhista diferente, a maior parte da Alemanha.

Um dos organizadores da obra - o também alemão Reinhard Kleist - e a única exceção. Saíram das mãos deles dois dos capítulos - entre os melhores da obra, não por acaso.

Kleist já se aventurou pela biografia em quadrinhos. É dele o álbum sobre a vida e a obra de outro cantor norte-americano, Johnny Cash, lançado em 2009, também pela 8nverso.

A editora informa neste álbum sobre Elvis que planeja publicar outra biografia do desenhista, sobre Fidel Castro.

                                                          ***

Na área de quadrinhos, a 8Inverso tem priorizado apenas biografias, todas ligadas a Reinhard Kleist.

Esta sobre Elvis Presley, em particular, tem apelo para ultrapassar o espectro de leitores de quadrinhos e chegar a outra gama de pessoas, como as que apreciam o cantor.

Apesar do preço elevado (R$ 63), a obra tem chances de conseguir um bom retorno de vendas. Mais por Elvis do que pelo conteúdo.

O álbum relata apenas a superfície da vida dele, mesclando fatos com ficção - os diálogos são imaginados, e não documentados. É um produto bem menos marcante do que Elvis foi. 

Escrito por PAULO RAMOS às 16h08
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24.08.10

Fotógrafo traz últimos registros de Didier Lefèvre

 

O Fotógrafo - Uma História no Afeganistão. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Terceiro número de "O Fotógrafo - Uma História no Afeganistão" encerra série, que mescla imagens reais com linguagem dos quadrinhos

 

 

 

 

 

 


De observador, o fotógrafo Didier Lefèvre se torna protagonista de sua passagem pelo Afeganistão no terceiro e último álbum da série (Conrad, 112 págs., R$ 46).

Em "O Fotógrafo - Uma História no Afeganistão", o francês relata minuciosamente o périplo que enfrentou para sair do país e entrar no vizinho Paquistão, de onde voaria até Paris.

Por opção, fez o trajeto sozinho, sem a companhia do grupo de estrangeiros. Decisão quastionável, como ele mesmo relata. Perigosamente questionável.

No percurso, ele é ignorado pelos guias, depois abandonado por eles. Vê-se, então, só no topo de uma montanha, em meio ao frio e, nas palavras dele, à espera da morte.

                                                           ***

A saída se dá ao ser descoberto por outro grupo de guias, a quem passa a seguir. De quando em quando, é estorquido por eles. Sem saída, acata.

O leitor deste terceiro volume tende a envolver com o relato, do qual Lefèvre se faz protagonista. Seria um enredo ficcional atraente não fosse real.

As fotos dele, tiradas em momentos esparsos do percurso, relembram sempre que se trata de um depoimento real. Visualmente real.

Como nos volumes anteriores, a narrativa é pontuada por imagens reais do Afeganistão. Quando não há foto, os desenhos em quadrinhos de Emmnuel Guibert cumprem os vácuos.

                                                          ***

O molde narrativo do álbum deveria soar recorrente neste último número. Não soa pelo tom de dramaticidade que Lefévre dá a sua saída do país.

É esse o diferencial do álbum se comparado aos anteriores, lançados no Brasil em novembro de 2006 e em março de 2008, respectivamente - valeria a Conrad contextualizar as edições anteriores, tanto aos novos quanto aos antigos leitores.

O ponto comum entre os três é o motivo da viagem: registrar em imagens o trabalho do Movimento dos Médicos sem Fronteiras, grupo especializado no atendimento em regiões de guerra ou de difícil acesso.

A viagem era para registrar uma caravana de médicos que ia para o norte do Afeganistão. No primeiro volume, Lefèvre dizia se tratar de uma "encomenda" do grupo.

                                                          ***

O esforço valeu à pena?

Do ponto de vista do leitor, sem dúvida. É um relato rico, pontuado pelo jornalismo em quadrinhos. Seguramente, um dos melhores lançamentos em quadrinhos do ano.

Do ângulo do autor, as fotos publicadas com destaque num jornal francês e os retornos dele ao país - fez oito viagens - sugerem que sim. Isso, no entanto, não esconde as sequelas.

Uma delas: perdeu catorze dentes ao regressar a paris, vítima de uma furunculose crônica, contraída na viagem ao Afeganistão que pautou os álbuns.

                                                         ***

Este volume de encerramento tem mesmo um ar de fim. Nas últimas páginas, Lefèvre apresenta fotos dos antogonistas que fotografou e faz uma atualização sobre as vidas deles.

A edição brasileira faz numa nota de rodapé a derradeira atualização, que o francês não poderia prever.

Didier Lefèvre morreu de ataque cardíaco no fim de janeiro de 2007, em casa, aos 49 anos.

Ironicamente, dias depois de receber um dos prêmios do Festival Internacional de Quadrinhos de Angouleme, justamente pelo terceiro volume de "O Fotógrafo".

                                                         ***

Leia as resenhas do primeiro e do segundo volumes nas postagens do blog de 09.11.06 e de 03.08.08. E na postagem de 31.01.07 sobre a morte do fotógrafo Didier Lefèvre.

Escrito por PAULO RAMOS às 21h40
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14.08.10

MSP + 50 repete fórmula do volume anterior

 

MSP + 50 - Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas. Crédito: editora Panini

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "MSP + 50 - Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas", álbum que tem sessão de autógrafos neste domingo 

 

 

 

 

 

 

 

 

O futebol consagrou a máxima do "não se mexe em time que está ganhando".

Há muito disso em "MSP + 50 - Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas", obra que entrou em campo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo e tem sessão de autógrafos com o criador da Turma da Mônica neste domingo à tarde.

O livro (Panini, 220, R$ 98)  repete a fórmula usada no volume anterior, lançado no ano passado. ma vez mais, 50 quadrinistas foram convidados para dar sua visão dos personagens de Mauricio de Sousa.

O principal apelo, para o leitor, é ver como ficou o resultado das interpretações pessoais de cada um dos autores, num estilo diferente ao criado por Mauricio de Sousa e padronizado em seu estúdio de produção.

                                                         ***

Como era de se esperar, já que estão em jogo estilos diferentes, as histórias ficaram bem diversificadas umas das outras. Algumas mais saborosas, outras menos.

O ecletismo pode ser visto, a título de exemplo, em histórias como a de Rogério Vilela.

O desenhista e designer paulista fez uma arte hiper-realista de Mônica, Cebolinha e Cascão, quase como se fossem seres reais.

Ou então o questionamento, em duas das histórias, sobre o fato de Cebolinha ser o único da turma a usar sapatos e ter dedos dos pés.

                                                          ***

Há também os registros pontuais. Rafael Albuquerque desenhou uma das Mônicas mais assustadoras desde que a personagem foi criada na década de 1960.

E a escatologia de Marcatti, marca dos trabalhos do desenhista, parece cair como uma luva para Cascão, conhecido por ter asco a limpeza. O Bugu de Roger Cruz é um primor.

Há, claro, outros exemplos e aproximações possíveis. Como a leitura de Danilo Beyruth sobre a Turma do Penadinho.

Beyruth é criador do herói Necronauta, que ajuda almas presas aqui na Terra.

                                                          ***

Mas a enumeração dos gostos pessoais é subjetiva e cabe a cada leitor dar a palavra final.

O que se pode dizer da obra é que ela perde muito da novidade apresentada no volume anterior, pensado para marcar os 50 anos de carreira do empresário e desenhista e que conseguiu uma ótima repercussão.

Por mais que se crie um apelo de expectativa em torno dela - muito alimentado na internet -, a impressão que a leitura do álbum dá é a de já ter visto o molde antes.

E já foi visto mesmo. O que não tira a qualidade do trabalho final de cada um dos autores, nem da repetição do projeto em si.

                                                          ***

Em tempo: participam do álbum Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque, Eduardo Medeiros, Emerson Lopes, Hector Salas, Ricardo Manhães, Roger Cruz, Lucas Lima, Gian Danton, J. J. Marreiro, Jota A, Rogério Vilela, Adriana Melo, Marcatti, Iotti, Clara Gomes, Denilson Albano, Rafael Grampá, André Kitagawa, André Ducci, Mario Cau, Fernanda Chiella, João Lin, Diogo Saito, André Diniz, Kako, Williandi, Tiago Hoisel, Danilo Beiruth, Wellington Srbek, Will, Fabio Ciccone, Allan Sieber, Mozart Couto, Pablo Mayer, Marlon Tenório, Biratan, André Vazzios, S. Lobo, Odyr, Luis Augusto, Rafael Coutinho, Ric Milk, Marcelo Braga, Beto Nicácio, Caco Galhardo, Chico Zullo, Duke, J. Márcio Nicolosi e Romahs.

                                                          ***

Serviço - Sessão de autógrafos de "MSP + 50 - Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas". Quando: domingo (15.08). Horário: 17h. Onde: estande da editora Panini na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Endereço: Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Quanto: R$ 98 (a editora vende com 20% de desconto); a entrada na bienal custa R$ 10 (meia, R$ 5).

Escrito por PAULO RAMOS às 12h42
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05.08.10

Mangá traz história do começo da carreira de Osamu Tezuka

 

Metrópolis. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

"Metrópolis", publicado pela editora NewPOP, traz trabalho do autor publicado em 1949 

 

 

 

 

 

 

 

"Metrópolis" (NewPOP, 168 págs., R$ 24,90) é daquelas obras que já soma atributos antes mesmo de iniciada a leitura. O principal cartão de visitas do mangá é ter sido feito por Osamu Tezuka (1928-1989).

O estilo dele influenciou muito a forma como os quadrinhos japoneses seriam produzidos a partir da segunda metade do século passado.

O mangá, no entanto, guarda outros atributos. Dois deles: a história em si e o fato de ter sido um dos primeiros trabalhos do autor, então com apenas 21 anos.

Publicada em 1949, a narrativa tem mais de 150 páginas. Pode ser algo comum para os dias de hoje, mas não era para a época.

                                                          ***

O mangá traz uma história de ficção científica, que revela mais do que aparenta.

Na superfície do texto, o enredo gira em torno de Michi, um menino criado em laboratório e portador de poderes especiais.

Um grupo de oposição, denominado Partido Red, busca o garoto a todo custo. O menino artificial é mantido à distância, junto à família de um oficial da polícia.

O enredo se desenrola a partir daí. Mas a leitura atenta revela mais.

                                                          ***

A obra evidencia a assumida influência da cultura norte-americana no trabalho de Tezuka, em particular das animações de Walt Disney - Mickey aparece à exaustão no mangá.

Apesar disso, o autor já demonstra o estilo que o marcaria nos anos seguintes.

Ele desenha cria quadrinhos refletos de ação e com a criação de uma personalidade marcante em todos os personagens, mesmo os figurantes. E com marcas da época.

O Partido Red é uma clara alusão ao nazismo, fantasma ainda recente na memória coletiva da época. Numa das cenas, o Duque Red, líder do partido, faz um gestual semelhante à saudação feita a Adolf Hitler (1889-1945).

                                                          ***

Marcante, ainda mais para o final dos anos 1940, a história ajudou a consolidar a carreira do autor e serviu de laboratório para duas outras criações suas.

Astro Boy, o menino-robô voador, bebeu muito das cenas criadas para Michi. Este, que muda de sexo com um apertar de botão, serviu de base também para Safiri.

Safiri era uma princesa que se vestia de homem na série "A Princesa e o Cavaleiro" - mangá que se tornou uma animação muito famosa no Brasil na década de 1970.

Tezuka assume essa criação antecipada num posfácio incluído no mangá. "Ele [Michi] é a origem da minha visão de herói/heroína."

                                                           ***

O autor explicita no mesmo posfácio outras influências.

As cenas de voo seriam dos quadrinhos de Super-Homem - que diz não ter lido na época.

O título da obra viria do filme homônimo de Fritz Lang - do qual teria visto apenas o cartaz.

O que o quadrinista assume ter visto foram os filmes norte-americanos, outra das fontes de inspiração do então jovem desenhista.

                                                          ***

"Metrópolis" é a primeira obra de Osamu Tezuka publicada pela NewPOP.

Até há poucos anos, o autor era publicado pela Conrad, editora que foi forte em mangás e que vem perdendo espaço na área. Espaço que a NewPOP tem sabido ocupar.

Há três anos no mercado, a editora tem diversificado o catálogo e lançado títulos que dialogam não só com os aficionados por mangás, mas também com leitores em geral.

Como fez com  "Metrópolis" e fará com "Dororo", também de Tezuka, anunciada para breve.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h32
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03.08.10

Mais uma coletânea de Luluzinha. A original

 

Luluzinha - Um Dia de Cão. Crédito: editora Devir

 

 

 

 

 

 

 

 

"Luluzinha - Um Dia de Cão" é o oitavo álbum com histórias da personagem lançado pela editora Devir 

 

 

 

 

 

 

 


É meio esquisito ter de esclarecer que o álbum que começou a ser vendido na virada do mês nas lojas de quadrinhos e nas livrarias (Devir, 96 págs., R$ 21,90) traz histórias da Luluzinha original.

O cuidado é porque a personagem ganhou uma nova versão, adolescente, produzida aqui no Brasil e publicada desde o ano passado pela editora Pixel em revista própria e mensal.

Pondo a personagem de ontem com a de hoje, não há muito o que muito o que comparar. A Luluzinha de antigamente tem histórias muito mais ricas e criativas.

O segredo está no tom ingênuo das narrativas, que consegue atingir leitores de diferentes idades - inclusive os adolescentes, público-alvo da versão jovem da personagem.

                                                          ***

"Luluzinha - Um Dia de Cão" repete o molde dos sete álbuns anteriores, lançados pela Devir desde 2006. A obra reúne um conjunto de histórias curtas da menina sapeca, produzidas em preto-e-branco.

São situações meio bobas - e por isso mesmo divertidas - vividas por ela e pelo amigo Bolinha. A exemplo das edições anteriores, as narrativas são da segunda metade da década de 1940.

As histórias foram criadas por John Stanley, desenhista que moldou a alma da personagem como a conhecemos hoje. Ele soube crescer o trabalho de Marjorie Henderson Bell.

Marge, forma como assinava suas criações, havia criado Luluzinha em 1935 na revista estadunidense "The Saturday Evening Post". No Brasil, a revista de Luluzinha foi publicada até a década de 1990, editada na época pela Abril.

                                                           ***

Leia mais sobre a trajetória de Luluzinha neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h18
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Gefangene usa prisão como metáfora do estrangeiro

 

Gefangene - Sem Saída. Crédito: blog do autor

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Gefangene - Sem Saída", álbum criado pelo brasileiro Koostela 

 

 

 

 

 

 

 

 


Há um fio condutor nas 31 histórias curtas de "Gefangene - Sem Saída", álbum do brasileiro Koostella, à venda em livrarias e lojas de quadrinhos (Zarabatana, 72 págs., R$ 31).

As histórias são ambientadas no clautrofóbico universo carcerário. A vida na prisão funciona como uma matáfora para a experiência pessoal do autor, que pautou as narrativas da obra.

Koostella produziu a maior parte dos quadrinhos durante estada na Alemanha.

Segundo ele, o fato de ser estrangeiro e não dominar bem a língua o tornava uma espécie de ser à parte da sociedade.

                                                          ***

"Assim como um presidiário, não estou incluído nos benefícios que a sociedade oferece", diz o autor, no prefácio do álbum.

"Afinal, eu sou um ´Ausländer´, um estrangeiro, alguém que veio de longe, e, somente por essa razão, devo me sentir um pouco menos ser humano do que todos aqueles que me cercam."

Koostella diz que a claustrofobia social mudou seu modo de criação. Eliminou as palavras, para que pudesse ser compreendido pela universalidade da linguagem dos quadrinhos.

Inclusive no país onde morava, registre-se. Manteve apenas a metáfora prisional, reflexo de sua vida no exterior.

 

Uma das histórias de Gefangene - Sem Saída. Crédito: blog do autor

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das histórias do álbum, lançado pela editora Zarabatana 

 

 

 

 

 

 

 

 


O resultado é um projeto marcado pelo experimentalismo, a começar pela ausência da palavra. Outra marca é a presença sistemática de nove quadrinhos em todas as histórias.

Algumas extraem humor da situação de cárcere. Outras não, levam à reflexão. Outras ainda dialogam com situações surreais.

O autor diz em seu blog que produziu a maior parte das narrativas em 2007. Nem todas, no entanto, foram feitas na Alemanha. Finalizou o projeto no Brasil nos dois anos seguintes.

"Gefangene - Sem Saída" tornou-se real após o quadrinista conseguir verba por meio de lei de incentivo cultural do governo de Santa Catarina, processo que tem viabilizado cada vez mais álbuns nos últimos anos.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h36
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01.08.10

Minissérie mostra lado macabro dos super-heróis

 

A Noite Mais Densa 1. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do número de estreia da minissérie, desenhada pelo brasileiro Ivan Reis 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pensador Mikhail Bakhtin, que influenciou boa parte das ciências humanas nas úlimas décadas, tem uma premissa que vale para este início de resenha.

O autor russo defende que um enunciado, para ser bem compreendido, deve ser analisado no todo.

Isso explica a limitação de se fazer uma leitura mais crítica de "A Noite Mais Densa", que chegou às bancas nos últimos dias (Panini, 52 págs., R$ 5,90).

Por ser apenas o primeiro número de uma minissérie em oito partes, tem-se à altura dos olhos somente uma parte pequena do todo. O que, por ora, auoriza apenas impressões.

                                                          ***

O que este número de estreia autoriza a dizer é que se trata de uma incursão pelo lado macabro dos super-heróis, tanto na história quanto nos desenhos escuros, feitos pelo brasileiro Ivan Reis.

A trama foi costurada nos dois últimos anos por Geoff Johns, hoje principal roteirista da DC Comics, editora da série, e autor de "A Noite Mais Densa".

Na história, heróis e vilões da editora, anteriormente mortos, retornam à vida com um lado sombrio e maléfico no comando de seus corpos.

Neste número, dois dos super-seres reaparecem. Um deles mata outros dois heróis.

                                                          ***

"A Noite Mais Densa" terminou de ser publicada nos Estados Unidos nos primeiros meses deste ano. A minissérie teve início em setembro de 2009.

Como geralmente ocorre nesses megaeventos, a série principal ecoa nos demais títulos mensais da editora, forma de turbinar as vendas em escala.

A série teve boa repercussão nos EUA. Foi indicada a melhor minissérie no Eisner Awards, principal premiação da indústria de quadrinhos do país. E Johns, a melhor escritor.

O trabalho é apenas um dos que o roteirista tem feito para a DC nos últimos anos. Ele esteve envolvido na reestruturação de alguns dos principais heróis da editora, de Lanterna Verde e Flash a Super-Homem - publicada atualmente na revista mensal do personagem.

                                                          ***

Os roteiros sistematicamente acima da média - em tempos de falta de criatividade na área dos super-heróis - impulsionaram Johns a um dos cargos administrativos da editora. "A Noite Mais Densa" seguramente ajudou nisso.

No Brasil, a Panini lançou também um número zero da minissérie (R$ 1,99), revista de 16 páginas que não acrescenta muito à trama principal. Vale apenas para fãs bem fervorosos.

Como nos Estados Unidos, a minissérie terá amarrações em alguns dos título mensais. Em particular o de Lanterna Verde, berço da história, e a nova revista "Universo DC".

Em geral, as tramas paralelas não somam muito à história principal. Mas, como já lembrava Bakhtin, é necessário esperar o todo para julgar o caso por completo.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h25
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