14.02.11

Nada ordinário

 

Ordinário, de Rafael Sica. Crédito: Quadrinhos da Cia.

 

 

 

 

 

 

 

Capa da coletânea de tiras de Rafael Sica, que começa a ser lançada nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Nem sempre os dicionários conseguem precisar o real sentido de uma palavra. Ou de um livro como "Ordinário", que inicia um périplo de lançamentos nesta semana.

A se pautar pelo "Houaiss", o título da coletânea de tiras de Rafael Sica indicaria ser algo "comum, habitual, frequente". Ou ainda "regular". Ou então "sem brilho", de "má qualidade".

A obra é muitas coisas. Mas seguramente nenhuma das elencadas pelo dicionário.

Na verdade, é justamente o oposto de todas elas. É incomum, inabitual, infrequente, irregular, com brilho, luminoso e, sem dúvida, de ótima qualidade.

                                                         ***

O nome "Ordinário" vem do blog homônimo do desenhista e fonte das tiras da obra. Várias tiras de lá já visitaram esta página, dada a peculiaridade do trabalho que ele faz.

Peculiaridade que rendeu ao gaúcho Rafael Sica dois troféus HQMix, um de melhor website sobre quadrinhos e outro de desenhista revelação.

As tiras são sem palavras - à exceção de uma, com onomatopeias. Elas criam situações inusitadas, muitas surreais, deixando para o leitor a tarefa de dar o sentido mais adequado. 

A leitura aberta tem levado os próprios internautas a registrarem comentários regulares no blog tentanto propor caminhos interpretativos para o trabalho do desenhista.

                                                         ***

O fato de ser um trabalho tão diferenciado é o que torna singular este livro do Quadrinhos na Cia., prometido inicialmente para dezembro (128 págs., R$ 29).

De tão singular, é até difícil dizer o que é exatamente o conteúdo. São tiras, o formato deixa claro. Mas de que tipo?

Um sinal disso já é percebido na grande imprensa, primeiro ensaio de recepção das tiras fora da internet. Na "Globonews", o trabalho foi rotulado de "poesia gráfica". Exagero...

Mas deve ser apenas a primeira tentativa de definir algo que se pauta justamente no oposto: na falta de definição e na procura de inverter o senso comum, a começar pelo título.

                                                          ***

Serviço - Lançamentos de "Ordinário", de Rafael Sica.

  • Porto Alegre. Quando: quarta-feira (16.02). Horário: 19h. Onde: Palavraria Livros & Café. Endereço: rua Vasco da Gama, 165, Bom Fim.
  • São Paulo. Quando: sexta-feira (18.02). Horário: 19h. Onde: Espaço + Soma. Endereço: rua Fidalga, 98, Vila Madalena.
  • Curitiba. Quando: quarta-feira (23.02). Horário: 19h. Onde: Itiban. Endereço: rua Silva Jardim, 845.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h34
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05.02.11

Aqui renasce Steve Rogers, o Capitão América

 

Os Novos Vingadores 84. Crédito: editora Panini

 

 

 

 

 

 

 

Retorno do herói, "morto" há três anos, é mostrado em "Os Novos Vingadores", revista que começou a ser vendida nesta semana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inicio esta postagem do ponto onde havia parado a resenha sobre a "morte" do Capitão América, veiculada aqui no blog em 26 de fevereiro de 2008.

Intitulado "aqui jaz oficialmente Steve Rogers, o Capitão América", o texto terminava com estas palavras:

"Apenas para registro: é muito comum heróis - e vilões - morrerem e voltarem meses ou anos depois. Super-Homem, Lanterna Verde e Arqueiro Verde são apenas três exemplos para provar isso. Se seguir a tendência, é possível que este caso do Capitão América seja mais uma "morte" ligada a uma eficiente jogada de marketing."

Dito e feito. Três anos depois, encerra-se no Brasil a história que mostra a volta do herói ao universo dos personagens da editora norte-americana Marvel Comics.

                                                          ***

O desfecho da volta de Steve Rogers, nome do herói, abre o número 84 da revista "Os Novos Vingadores", que começou a ser vendida nesta semana (Panini, 76 págs., R$ 6,50).

A volta dele havia ocorrido na edição anterior. O que se lê agora é o encerramento da minissérie em seis partes "Captain America Reborn", que mostrava o retorno.

O roteirista Ed brubaker teve de fazer uma engenharia narrativa para explicar como o herói iria regressar do mundo dos mortos, após ter sido baleado à queima roupa.

A explicação: a consciência do herói foi separada de seu corpo e ficou migrando pelo passado. Entre os saltos temporais, conseguiu retomar o corpo e voltar ao presente.

                                                          ***

Como se trata do mundo dos super-heróis, irreais por concepção, não se pode exigir muito de uma explicação dessas. Para a editora, o importante é retomar o personagem.

Ainda mais num ano em que o herói irá para a tela grande, adaptado em longa-metragem. Numa oportunidade assim, é comercialmente sábio mantê-lo bem vivo.

A discussão a partir de agora é ver quem irá ficar com o escudo e o uniforme do herói. Isso porque o ex-parceiro dele, Bucky Barnes, assumiu o posto durante sua "ausência".

Uma pesquisa no Google ou lida em sites que noticiam novidades da indústria norte-americana de quadrinhos revela a resposta para os mais curiosos.

                                                          ***

Desde a publicação da "morte" do Capitão América, a série mensal do personagem continuou sendo lançada nos Estados Unidos, com uma trama bem construída.

Muito do interesse gerado pelas histórias veio da mão certeira de Ed Brubaker, um dos poucos escritores que se destacam nas revistas de super-heróis de hoje.

Mas os acertos de ontem não se refletiram nesse desfecho da volta do herói. Foi um retorno sem impacto. O Capitão América regressou dos mortos e já entrou em combate.

Os demais heróis, também no conflito contra o Caveira Vermelha, pouco se surpreenderam. Apenas um perguntou se aquele era o "nosso Capitão". Era. Próxima aventura.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h27
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