23.09.11

Novos contos do além

 

  • Álbum traz mais histórias de Necronauta, personagem que leva mortos ao além
  • Obra é o primeiro trabalho de Danilo Beyruth após o premiado "Bando de Dois"
  • Autor lança "Necronauta - O Almanaque dos Mortos" neste sábado em São Paulo

 

Necronauta - O Almanaque dos Mortos. Crédito: editora Zarabatana Books

 

A repercussão obtida pelo álbum "Bando de Dois" agregou um previsível destaque ao trabalho seguinte de Danilo Beyruth,  "Necronauta - O Almanaque dos Mortos" (Zarabatana Books, 112 págs., R$ 36), que tem lançamento neste sábado à tarde em São Paulo.

Não é por menos. Lançado em 2010, "Bando de Dois" foi o principal destaque do HQMix deste ano, com três troféus. Também foi selecionado pelo governo para ir às escolas.

O caminho natural seria comparar uma obra à outra. Mas seria também um equívoco. Trata-se de histórias diferentes, com propostas diferentes.

A comparação mais precisa é com o volume anterior do personagem, lançado em dezembro de 2009 pela editora HQM. Quem gostou do primeiro vai gostar deste também.

                                                           ***

Necronauta é um personagem secundário em suas próprias histórias. Ele está lá para cumprir a mórbida tarefa de conduzir ao além mortos que tenham algum tipo de pendência.

As tramas são narradas na forma de contos. Bem escritos, como no volume anterior, realçam distintas facetas da vida das pessoas em questão.

Os temas ecléticos passam por um amor deixado para trás, um estado comatório, a perda da fama e um inusitado caso de bullying feito por fantasmas.

O álbum traz sete histórias, uma em duas partes. À exceção de um dos textos, escrito por Hector Lima, todos os demais tem assinatura de Beyruth, que faz a arte também.

                                                          ***

Assim como "Bando de Dois", Necronauta vai na contramão do que o mercado editorial brasileiro tem pautado. Em vez de realismo, ficção. 

Mais: no país onde os super-heróis nacionais sempre ficaram à margem, Beyruth vai e impõe como personagem-título justamente um ser fantasiado, com poderes.

Atitude corajosa, tem ajudado a singularizar a produção do autor. Aliada, claro, aos roteiros bem amarrados e aos desenhos, sempre impressionantes. É autor em franco crescimento.

Crescimento que a Zarabatana Books soube destacar, incluindo os prêmios do autor na contracapa da obra. Quem perdeu foi a HQM, que não soube segurar Beyruth.

                                                          ***

Saiba por que Danilo Beyruth saiu da HQM na postagem de 18.07.

Leia também a resenha do primeiro volume na postagem de 22.12.2009.

                                                          ***

Serviço - Lançamento de "Necronauta - O Almanaque dos Mortos", de Danilo Beyruth. Quando: sábado (24.09). Horário: das 15h às 18h. Onde: loja Comix. Endereço: alameda Jaú, 1.998, São Paulo. Quanto: R$ 36.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h15
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19.09.11

PNBE 2012 diminui compra de quadrinhos

 

  • Programa do governo federal reduz número de HQs para serem levadas às escolas
  • Das 250 obras selecionadas, 7 são em quadrinhos; 3 delas são adaptações literárias
  • Lista com títulos foi divulgada no fim da semana passada no "Diário Oficial da União"

 

Drácula. Crédito: Companhia Editora Nacional

 


Foi uma rasteira nos editores de quadrinhos. O governo federal reduziu sensivelmente o volume de obras do setor na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

A relação foi publicada na quinta-feira passada no "Diário Oficial da União". Dos 250 títulos selecionados para serem levados às escolas no ano que vem, 7 são em quadrinhos.

Proporcionalmente, significa 2,8% do total. Na edição passada, beirava 30 publicações. O objetivo é comprar acervos para formar bibliotecas de escolas públicas do país.

O que se manteve foi a preferência por adaptações literárias. Três dos sete títulos são versões quadrinizadas de clássicos. É quase a metade.

                                                         ***

A opção pelas adaptações consta no edital de seleção, semelhante ao das edições anteriores.

A menção aos quadrinhos é acompanhada da frase "dentre os quais se incluem obras clássicas da literatura universal, artisticamente adaptadas".

Foi o que levou à seleção das versões de "Drácula" e de "Frankenstein", ambas da Companhia Editora Nacional, e de "Turma da Mônica - Romeu e Julieta", da Panini.

Os demais títulos são "Bando de Dois" (Zarabatana), "O Ratinho se Veste" (Companhia das Letrinhas), "Aya de Yopougon" (L&PM) e "365 Dias na Mata do Fundão" (Globo).

                                                          ***

Os quadrinhos entraram na lista do PNBE em 2006. Eles têm sido selecionados anualmente desde então. O volume da compra varia entre 15 mil e 48 mil exemplares.

As gordas vendas têm atraído diferentes editoras, tanto as que publicam quadrinhos quanto as que não. Muitas apostam nas adaptações para entrar na relação do governo.

Foi o que pautou o lançamento de quase três dezenas de versões literárias em quadrinhos em 2011. Neste ano, o ritmo têm se mantido o mesmo.

Observando criticamente, vê-se que a lista do PNBE ainda tende a ver os quadrinhos com ressalvas. Não se trata de leitura em si. Mas de ferramenta para se chegar à literatura.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h34
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11.09.11

Bom filho à casa retorna

 

  • Nove anos depois, Abril volta a publicar revistas de super-heróis da DC
  • Editora publica quatro almanaques com versões baseadas em animações
  • Iniciativa diversifica catálogo, até então ancorada apenas nas HQs da Disney

 

As Aventuras do Superman 1. Crédito: editora Abril  Liga da Justiça. Crédito: editora Abril

 


Depois de nove anos, a editora Abril voltou a publicar neste mês revistas com os super-heróis da DC Comics.

São almanaques com mais de cem páginas, que reúnem cinco histórias cada um. As aventuras são baseadas nas animações, exibidas no Brasil pelo SBT e o Cartoon Networks.

"Liga da Justiça", "As Aventuras do Superman", "Batman - Os Bravos e Destemidos" e "Os Jovens Titãs" são vendidos nas bancas e custam R$ 7,95 cada um.

Mais do que lançamentos, são a tentativa mais contundente em anos da editora paulista de diversificar seu catálogo de publicações de quadrinhos.

                                                            ***

A história dos quadrinhos no Brasil reserva à Abril o papel de uma das principais e mais regulares editoras de histórias em quadrinhos do país na segunda metade do século 20.

Ancorada nos personagens Disney, mas não só neles, a empresa paulista se tornou um dos grupos mais importantes do setor na América Latina.

Neste século, no entanto, a redação de quadrinhos foi esvaziada quando os títulos de super-heróis migraram para a concorrente Panini, que se lançava no setor de quadrinhos.

Em poucos anos, a multinacional se tornou a líder do segmento de quadrinhos de bancas. Ainda hoje, são da Panini os direitos de publicação do grosso dos títulos da DC Comics.

                                                             ***

À Abril restaram os tradicionais personagens Disney. Houve tentativas de diversificar os títulos Disney, algumas a preços populares. Mas nenhuma bem-sucedida na linha infantil.

Os bons retornos se deram no outro extremo, entre o leitor adulto. Foi ele que ajudou a popularizar projetos como a coletânea de histórias de Carl Barks.

É também esse leitor o alvo mirado com a coleção "Pateta Faz História",atualmente nas bancas. A série reedita antigas narrativas e mescla algumas, ainda inéditas no país.

O movimento mais eloquente no sentido de retomar parte do segmento, entretanto, foi com essas revistas de super-heróis, lançadas em formato menor, como o das demais infantis.

                                                            ***

Usar as revistas em tamanho menor é uma aposta que vai na contramão de como os títulos de super-heróis vem sendo publicados no país na última década.

Foi um movimento iniciado na virada do século com a própria Abril, que trocou o formato infantil pelo chamado americano, maior, como o gênero é lançado nos Estados Unidos.

A editora havia divulgado que iria publicar as novas revistas em dezembro do ano passado, como o blog noticiou em 14.12. Na ocasião, a Abril havia informado que sairiam em março.

É prematuro dizer se a diversificação da Abril dará resultado. Mas é um sinal concreto de que a editora paulista saiu do estado comatório em que muitos leitores a punham.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h19
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10.09.11

Tiras sem desenhos

 

  • Marcelo Saravá lança coletânea de tiras feitas apenas com palavras e balões
  • "1000 Palavras" faz seleção de 200 histórias publicadas no blog do autor
  • Lançamento da revista independente será neste sábado à noite em São Paulo

 

Tira de Marcelo Saravá. Crédito: cedida pelo autor

 

Uma imagem pode valer mais do que mil palavras. Mas, para quem não desenha, as mil palavras podem ser a saída para contornar a falta da imagem.

Não é por acaso que a primeira coletânea de tiras de Marcelo Saravá faz alusão justamente ao ditado popular.

"1000 Palavras", revista independente que tem lançamento neste sábado à noite em São Paulo, compila 200 histórias veiculadas no blog do autor.

O ponto comum entre todas é a presença do humor, construído apenas com os diálogos mostrados nos balões e nas legendas.

                                                         ***

Eliminar os desenhos, marca de qualquer tira, ajuda a explicitar como muitas dessas histórias se ancoram nas palavras para produzir o efeito de humor.

Outro ponto que se destaca é como se pode brincar com os balões, recurso nem sempre observado ou explorado por muitas das séries.

No caso de Saravá, trata-se de mecanismos narrativos quase obrigatórios, já que não usa imagens. E consegue bons resultados, alguns ímpares.

Se lidas em sequência, há uma oscilação entre as tiras apresentadas na revista. Mas nada anormal ou incomum a qualquer coletânea de tiras.

                                                          ***

Marcelo Saravá divide a autoria das tiras com textos para cinema, teatro e TV. Já produziu mais de mil histórias nesse formato. Neste sábado, seu blog apresenta a de número 1.338.

No prefácio da revista, ele comenta que a ideia da coletânea surgiu quando completou as primeiras mil tiras. Pediu aos leitores que selecionassem quais deveriam constar na obra.

"1000 Palavras" é mais um produto que usa os blogs como incubadora de tiras, algo cada vez mais comum. Quando se obtém um volume razoável delas, publica-se em papel.

Saravá já inicia outro projeto, desta vez com desenhos, feitos por Marco Oliveira, outro autor de tiras virtuais. Ambos fazem o blog "Banda Non Grata", também com bons resultados. 

                                                         ***

Serviço - Lançamento da revista independente "1000 Palavras", de Marcelo Saravá. Quando: hoje (10.09). Horário: a partir das 20h. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: não informado.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h46
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01.09.11

Preacher: enfim, o final

 

  • Última parte da série começou a ser vendida no Brasil nesta virada de mês
  • Desfecho do título é adiado desde 2004, quando quase foi concluído no país
  • "Preacher" foi um trabalhos mais destacados do selo norte-americano Vertigo

 

Preacher - Álamo. Crédito: editora Panini

 

Não há eufemismos: demorou. Para sermos exatos, foi de sete anos e seis meses o intervalo entre a primeira tentativa de encerrar "Preacher" no Brasil e o desfecho de fato.

A parte final da série norte-americana, enfim, é publicada no país. O nono e último volume começou a ser vendido nesta virada de mês (Panini, 228 págs., R$ 60).

"Preacher - Álamo", nome da obra, costura todas as pontas soltas deixadas pela série, escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon.

E, claro, mostra o canto final da busca do pastor Jesse Custer por Deus, entidade por quem se sente traído e que passa a caçar.

                                                         ***

Para os novos leitores, a síntese acima talvez não diga muito. Há, de fato, a necessidade de ter tido contato com os tomos anteriores para entender toda a engenharia narrativa.

Mas para quem vinha acompanhando a série desde o início, o resumo faz todo o sentido. Não só o resumo em si, mas o que ele sugere: o adiado desfecho.

"Preacher" estreou nos Estados Unidos em 1995. O título integrava o rol de publicações da Vertigo, selo adulto da DC Comics, mesma editora de Batman e Super-Homem.

Não demorou para se tornar uma das séries centrais da Vertigo. Muito por conta do viciante tom politicamente incorreto cunhado por Ennis.

                                                         ***

Não faltam exemplos. Um dos personagens secundários tenta se matar e fica com o rosto parecido com um ânus. Passa a ser chamado de Cara de Cu.

A afronta religiosa é explícita, em atitudes e palavras. Os diálogos, inclusivem estão repletos de palavrões. Mas tudo, no geral, funciona como uma engrenagem bem ordenada.

O resultado é uma série de ação permeada por situações cômicas. O grande antagonista de Custer, Herr Starr, vai tendo o corpo desfeito a cada bloco de histórias.

Nesta parte final, ele já está sem orelha, com a cabeça parecida com a ponta de um pênis e sem o genital. Esta última parte rende a cena mais hilária deste volume final.

                                                         ***

A série mensal teve ao todo 66 números, fora alguns especiais. "Preacher - Álamo" reúne as últimas oito edições. Parte delas chegou a ser publicada no Brasil pela Brainstore.

A extinta editora começou a lançar Álamo na então revista do personagem, lançada em maio de 2000. Mas interrompeu a conclusão faltando seis números do final.

Era apenas mais um capítulo da sina por que a série passou. "Preacher" estreou no país na Tudo em Quadrinhos, em novembro de 1997. Teve dois especiais e ganhou título próprio.

Teve início, então, uma sucessiva troca de nomes da editora: de Tudo em Quadrinhos para Fractal Edições, desta para Atitude Publicações. Apesar disso, a numeração foi mantida.

                                                         ***

Foi quando a Brainstore assumiu a série. A nova casa continuo a série do ponto onde havia parado, mas reiniciou a numeração. Foi até a edição 34, correspondente à 60 original.

Em abril de 2006, a série retornou pela editora Devir. Com uma diferença, que acrescentou um novo capítulo ao adiado desfecho: o título foi reiniciado, com os números iniciais.

A Devir optou por publicar as histórias de forma compilada, como também ocorreu nos Estados Unidos. A Pixel assumiu a série anos depois e manteve a continuidade e o molde.

A Panini deu sequência do ponto onde havia parado. Foram dois volumes em capa dura até chegar, enfim, ao nono e derradeiro volume. Um périplo. Mas, enfim, chegou ao final.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h03
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